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 Terapias Holísticas - ilustrações de atendimento

CASO 1 - UMA ILUSTRAÇÃO por Marina Tschiptschin Francisco (publicado na Revista Catharsis)

A.L. tem 49 anos e é pai de 2 adolescentes. Profissional liberal, seu nível de vida é bastante elevado. Veio para terapia com sérias queixas de uma ansiedade extrema, beirando ao pânico, ligada a certos sintomas físicos de definição vaga, de comprovação médica muito hipotética. A sessão que será reproduzida mais adiante é uma sessão pertencente a uma etapa em que a ansiedade extrema já foi contornada, e A.L. vem, regularmente, trazendo a temática de seus filhos adolescentes como seu único problema.

(A.L. entra e já vem falando, à medida que vai se preparando para se deitar no divã.)

A.L. - Você já assistiu aquele filme, candidato ao Oscar, que trata daqueles revolucionários, que abandonam tudo, família, felicidade pessoal, etc., para se dedicarem à causa política?

Terapeuta - Sim.

A.L. - Olha, eu não consigo entender isso. Como é que pode? Eu não conseguiria, de jeito nenhum, largar tudo pra me envolver com esse tipo de questão. (Deita.)

Terapeuta - Do mesmo jeito que fica difícil pra você largar a família, neste momento, e se envolver aqui, comigo.

A.L. - É mesmo. Não consigo me envolver com nada que não seja meus filhos. Parece que eu fiquei tanto tempo por conta deles, vibrando com tudo que fosse deles, fosse bom, fosse ruim... Que acabei viciado. Nada mais me interessa, realmente. Quando saio com minha mulher, o único assunto são os filhos, e quando acaba esse assunto, não tem mais conversa, fica aquele vazio. A minha profissão é um assunto já resolvido, que não me motiva mais - é só seguir por aqueles trilhos, que a coisa anda sozinha... E também não tenho vontade nenhuma de me aperfeiçoar, ou de estudar alguma coisa. Esporte era um campo que me absorvia, mas agora já não dá mais, por causa desses sintomas físicos que se agravam, cada vez que participo de algum esporte. Sair com parentes, ou amigos, também não tem graça. Só dá papo furado, conversa besta, gargalhada a torto e a direito por motivo nenhum.

Terapeuta - Você acaba ficando muito dependente dos teus filhos. Eles são o teu mundo.

A.L. - Mas, vou me interessar pelo que? Não sei, eu sei que está errado, mas o que vou fazer? Ah, tem uma coisa que consegue me absorver bastante. É a minha casa na praia. Isso me interessa muito. Me preparo com antecedência, em todos os detalhes, e quando vamos para lá, curto muito. Porque é uma coisa que eu construí, que eu bolei cada cantinho, cada coisinha. Aquilo me dá uma enorme satisfação, ficar olhando para aquilo, com aquela sensação de "Fui eu que fiz!"

Terapeuta - É como se fosse um filho teu, resultante da tua potência, ou até mais do que um filho - uma demonstração da tua onipotência. Ao passo que todos esses outros assuntos - a tua mulher, o esporte, os parentes, os amigos, e até eu, representam um desafio muito maior a essa potência. Existe, nesses outros assuntos, algo de ameaçador, que te deixa se sentindo pequeno, pouco capaz, e que acaba produzindo uma defesa, que é esse desinteresse.

A.L. - Lembrei agora, de uma cena de quando eu era menino, de uns 7 ou 8 anos. Eu ficava muito na casa de um casal de idade, que não tinha parentesco comigo, mas gostava de mim como se eu fosse neto. Os netos deles moravam ali perto, e estavam lá todos os dias. Havia uma competição entre eu e esses netos. Eu era mais bonito, mais educado, mais fino do que eles. Eles eram todos grosseiros, feios e rejeitados pelos avós. A comparação pesava no ar, e embora eu fizesse de tudo para manter meu lugar de Eleito, sentia uma culpa atroz, que se estendeu até hoje. Nem sei por que me lembrei disso!

Terapeuta - Quando você não está abafando e brilhando, como nessa cena que você acabou de me descrever, você se sente pesadão, grosseiro e rejeitado. Aqui, por exemplo, onde às vezes você acha que eu é que brilho, eu é que estou por cima. A tua mulher te faz sentir assim também (trata-se de uma mulher muito bem sucedida em sua ocupação que implica em muitos relacionamentos, e em bastante evidência).

A.L. - É verdade. Junto a meus filhos, ou dentro da minha casa na praia, eu me sinto o centro das atenções. Mesmo que junto a meus filhos, às vezes eu seja o centro das atenções por causa de uma briga horrível... Falem mal, mas falem de mim! (Dá uma risadinha desconcertada.)

Terapeuta - Enquanto falam de você, estão cuidando daquele menininho de 7 ou 8 anos, culpado, inseguro, pesadão e rejeitado. (Silêncio) Vamos agora libertar a mente de todas essas imagens, e vamos entrar em contato com esse vazio interior, tão cheio de cores, profundidade, ar bom de respirar, e, principalmente dessa tranqüilidade tão despreocupada e tão agradável. (É então induzido um relaxamento profundo, combinação de vários procedimentos de relaxamento , concentração, e visualização de cores - com elementos do conhecimento Cromoterápico. Em concomitância, o Terapeuta também entra em relaxamento profundo, o que propicia uma sintonia fina com os sentimentos do Paciente, e com todo o jogo de nuances perceptivas, interpretativas, vocais e energéticas, necessárias ao procedimento.)

Terapeuta - Agora que seu corpo está tão relaxado, sua mente tão livre e despreocupada, diga-me qual a primeira imagem ou idéia que passa pela sua cabeça.

A.L. - Não sei. São várias as imagens. Parece um campo de futebol, onde está havendo um jogo.

Terapeuta - Você está jogando?

A.L. - Não, só assistindo.

Terapeuta - Visualize bem esse campo, e você fora dele. Observe como você olha para o jogo, com tanta vontade de estar lá dentro! Mas, você não se aventura a entrar. São muitos os medos. Medo de machucar o joelho, medo de sentir aquele repuxão esquisito que você foi de médico em médico para ver se descobriam o que era. Medo de não jogar bem, dos outros verem que você está fazendo fiasco. Medo de se sentir pequeno, sem a técnica e sem a graça que você tinha anos atrás. Agora, se você olhar bem, ampliando o alcance da tua visão, você vai ver que ao lado desse campo de futebol, existem outros campos dos quais você também não está participando. Campos em que está havendo grande atividade, campos em que talvez, lá no fundo, você esteja querendo participar. Mas, são muitos os medos: no campo profissional, o medo de descobrir a tua ignorância. No campo social, o medo de descobrir a tua carência, a tua necessidade de ser ouvido e aprovado. No campo matrimonial, o medo de pôr em evidência a tua posição desfavorável, que, aos teus olhos, é uma posição de rabeira. Vamos observar que, além da tua própria figura que não entra nesses campos - o A.L. medroso e defensivo - existem ali duas outras figuras que são você mesmo em mais dois desdobramentos diferentes - um A.L. pequeno e muito rejeitado, e seu oposto, um A.L. cruel e rejeitador, que não aceita aquele A.L. frágil.

É com essas figuras que vamos trabalhar agora. Vamos focalizar, neste momento, o A.L. pequenininho e frágil, tão inseguro. E vamos procurar aquele pontinho de dor dentro dele, que está motivando toda essa história. Aquele pontinho de angústia, de sentimento de rejeição. E vamos, então, mobilizar nossas reservar interiores, energias provenientes desse contato tão bom que estamos tendo com o Eu real. Dessas reservas, vamos retirar e mobilizar, em primeiro lugar, o amarelo anestésico (Cromoterapia). Localize o amarelo, acentue-o, e vamos sentir esse amarelo penetrando nessa dor, e amenizando-a, aliviando, anestesiando. Observe como, neste momento, o A.L. frágil está se sentindo melhor, acreditando que alguém veio em socorro, e que sua dor está bem mais aliviada.

Agora, me diga, qual é a cor que você está vendo? (É importante que o Paciente participe ativamente desta fase do procedimento, dando sua contribuição, não só em termos de visualizações e mobilização de energias instruídas pelo Terapeuta, mas também em termos de percepção e intuição próprias dele. Às vezes, o Paciente tem visualizações e intuições diferentes do Terapeuta, e isso se revela muito útil.)

A.L. - Estou vendo um azul vibrante, cheio de energia e movimento.

Terapeuta - Muito bem, vamos movimentar esse azul na direção do A.L frágil, para que ele se equilibre (Cromoterapia). Vamos imaginando, vendo e sentindo como o azul vai penetrando nessa figura e vai equilibrando, vai reassegurando, vai lhe dando a sensação de que está em boas mãos, está seguro. Agora, vamos dar a ele aquela dose de afeto de que ele está tanto precisando, também, para se fortalecer. Vamos mobilizar o cor de rosa, que é justamente a cor do amor, do calor humano, na direção dele, sentindo como, à medida que vai penetrando, o cor de rosa vai lhe transmitindo uma agradável sensação de envolvimento afetivo. É como se fosse um nenezinho envolto num cobertor cor de rosa, muito aconchegado e à vontade. Por essas alturas, esse A.L. já está bastante fortalecido, e liberado das sensações desagradáveis de desamparo. Este é um processo de descondicionamento, que está sendo concretamente realizado, de acordo com princípios científicos bem estudados.

Agora, vamos mobilizar nossas energias na direção daquele A.L. engrandecido e hostil, aquele que despreza os fracos, os oprimidos, e despreza, acima de tudo, o A.L. frágil. Observe que sua força de desprezo é a principal arma que esmaga e fragiliza o pequeno A.L. Tanto é que, agora que o pequeno A.L. está mais fortalecido, mais corado e animado, o A.L grande e hostil consegue olhar para ele com uma tolerância bem maior, e sem criar uma couraça tão defensiva. Mas, vamos ajudá-lo a se libertar melhor dessas defesas, vamos envolvê-lo naquelas mesmas cores: o amarelo anestésico que vai amenizar suas dores mais escondidas, o azul que lhe vai dar a segurança de que precisa, e o cor de rosa, que vai lhe proporcionar todo aquele afeto que lhe falta. À medida que vamos fazendo essa transferência energética, vamos observando que o A.L. grande já não tem tanta necessidade de se engrandecer, vai relaxando, vai ficando mais normal, mais parecido com o A.L pequeno. Os dois vão se aproximando. Sinta agora como o clima está bom, como as polaridades quase que desapareceram, e existe uma energia muito positiva no ar.

E agora, vamos observando como aqueles diversos campos em que você se encontrava à margem, e que estavam escuros, sem luz, derrepente estão sendo inundados por essas luzes coloridas, que vão emprestando tonalidades emocionais positivas a cada cantinho ainda escuro. Observe, sinta como o campo de futebol parece convidativo, para uma participação normal, sem grandes brilhos, porém animada. Sinta como o campo profissional, agora tão mais quente e colorido, parece mais agradável para nele se entrar e descobrir novas possibilidades. Sinta como o campo do casamento, sob essas novas luzes, promete novas aberturas calorosas, renovações interessantes.

Agora, você esvazia a cabeça. Novamente, a cabeça fica livre de pensamentos, de imagens. A única coisa que você vê na sua frente são essas cores lindas. A única coisa que você sente é essa tranqüilidade agradável, e uma sensação nítida de que um trabalho importante foi feito, e que seus efeitos estão palpáveis, no ar. Você vai levar esses efeitos consigo, pois eles estão embutidos em você, por um processo de condicionamento. Eu vou contar de 0 até 5, e ao número 5 você vai abrir os olhos, e vai estar se sentindo muito bem, trazendo com você todos os benefícios desta sessão. 0, 1, 2, 3, 4, 5 ...

(A.L. abre os olhos, senta-se, e dá sinais de que quer conversar um pouco).

A.L. - Nossa, vi tanta coisa, passando rápido, rápido... Lembro bem de me ter sentido como se estivesse passando um pano de limpeza sobre muita coisa, limpando em movimentos circulares, amplos..

Terapeuta - Que imagem bonita, para os conteúdos que foram trabalhados hoje! Limpando em movimentos circulares, ampliando teu campo de visão e atuação...

( A sessão é finalizada, e A.L. sai, parecendo saborear os últimos comentários.)



CASO 2 - Kleber   Ilustração por Marina Tschiptschin Francisco em um caso recente
                   (tudo sobre este caso está camuflado sem violação do Código de Ética)


Kleber é um implantador de tecnologia que viaja levando know-how de sua marca de máquinas para laboratórios por todo o território nacional. É muito seguro quando tem que falar sobre sua especialidade, mas fora daí, sente-se muito inseguro e destituído de qualquer valor intrínseco. Na infância, Kleber perdeu sua mãe com 8 anos e não encontrou no pai o apoio de que precisava, ficando nas mãos de parentes pouco afetivos até completar sua maioridade. Desde então, manteve-se afastado da família por quem se sentiu desprezado. Casou, mas seu casamento pouco durou, pois a esposa também não o valorizava suficientemente. Eis aqui uma sessão típica do tratamento de Kleber:

Kleber entra com uma aparência tranquila, como sempre. Essa é a máscara que ele sempre traz.

Terapeuta – Olá Kleber, como vai?

Kleber – Tranquilo.

Terapeuta – Tudo isso de tranquilidade? E o resto, que não está tão tranquilo?

Kleber – Bem, está tudo sempre igual, como eu já falei. Só no trabalho é que me sinto bem, porque falo sobre tecnologia, minhas falas já estão pre-formatadas. Mas mesmo lá me sinto desrespeitado pelos chefões que pouca consideração têm por mim, marcam compromisso comigo e furam à vontade... Quando me encontro com alguém, sempre saio da situação insatisfeito, com a impressão de que só falei bobagem.

Terapeuta – Você é muito cruel consigo mesmo. E está sempre de olho no que os outros vão achar de ruim em você. Desconfio de que esse olho cruel é seu mesmo. É assim que você olha para os outros, procurando defeito neles.

Kleber – Pode ser... (não está muito convencido)

Terapeuta – Você se sentiu tão rejeitado pelo seu pai, mas acontece que você herdou o olho crítico dele. Não só herdou, como continua segurando firme nesse olho crítico. Você usa esse olho contra os outros e, principalmente, contra si mesmo.  Só que o contrário aparece para você: os outros é que te criticam sem parar. Na realidade, quem está julgando é você mesmo.

Kleber – É, faz sentido...

(Algum tempo se passa em que continuamos conversando sobre essa maneira de enxergar o mundo como espelho dele mesmo.  Em seguida, vamos à segunda parte da sessão, em que eu induzo um relaxamento muscular dentro do qual Kleber entra em Nível Aprofundado de Consciência, tornando-se mais sensível a imagens do Inconsciente).

Terapeuta – Qual a primeira ideia ou imagem que aparece na sua tela mental?

Kleber – Estou vendo um deserto cheinho de areia, um céu azul, um espaço bem grande...

Terapeuta – Bem como seu universo interior. Um cenário lindo, cheio de possibilidades, mas vazio de pessoas. Parece que todas você expulsou ou nem deixou entrar, com medo que estragassem esse cenário.

Kleber – Capaz que estragassem mesmo, com seu olhar crítico. Prefiro assim, vazio e agradável. Sem ninguém para ficar olhando torto, achando isso ou aquilo.

Terapeuta – Quem seria uma dessas pessoas que, se entrasse aí, faria esses comentários desagradáveis?

Kleber – Minha ex-mulher, pronta para falar mal de mim a qualquer momento. Pronta para mostrar sua insatisfação, me deixando mal, muito mal.

Terapeuta – Vamos visualizar sua ex-mulher nesse cenário, mostrando toda essa insatisfação, falando aquelas coisas que ela falava quando vocês estavam juntos. Vamos fazer uma viagem para dentro dela e procuramos aquela menininha que ela traz dentro de si. Uma menininha que traz as marcas da crítica, que sempre se sentiu inadequada, imperfeita, incapaz de satisfazer as pessoas importantes ao seu redor. Veja, neste momento, como a maneira crítica dela olhar para você tem a ver com isso. Ver o defeito em você é uma defesa, você que não corresponde ao que ela quer. Veja como ela, ao ver o defeito em você, se esquece do defeito que ela sempre sentiu nela mesma. O que você está vendo ou sentindo?

Kleber – Agora estou vendo como tudo isso aconteceu dentro dela. Agora estou conseguindo compreender e isso me faz sentir bem melhor.

Terapeuta – Vamos então continuar visualizando sua ex-mulher, com essa menininha dentro dela. E vamos cuidar dessa menininha, envolvendo-a com muito amor, talvez com cor de rosa, sentindo essa energia que vai sendo transferida para ela. Veja com a menininha vai ficando mais corada, mais animada e menos ressentida. Ao mesmo tempo, a adulta, que é a sua ex-mulher, vai relaxando e sentindo menos necessidade de criticar... O que você está vendo agora?

Kleber – Estou vendo a minha ex-mulher mais mansa. Vejo-a cuidando da menininha, colocando-a no colo, abraçando e preenchendo toda a carência afetiva dela.

Terapeuta – Cuidando dessa menininha, estamos, ao mesmo tempo, cuidando do Kleber-criança que existe dentro de você. E estamos humanizando todas as figuras persecutórias que habitam seu imaginário. Pois tudo se passa em rede e, mexendo em uma dessas figuras, todas são atingidas. Após uma sequência desses esforços de Imaginação Ativa, em que o imaginário vai sendo trabalhado, reformulado, e, até certo ponto, resetado(voltando à configuração de fábrica, pois essa é a configuração ideal, que corresponde ao que é mais natural e saudável no ser humano), Kleber é reconduzido a seu nível normal de consciência, saindo aliviado e pronto para mais uma semana de exercício dessas imagens, sentimentos, sensações e ideias que foram reformulados em consultório.


Após uma sequência desses esforços de Imaginação Ativa, em que o imaginário vai sendo trabalhado, reformulado, e, até certo ponto, resetado(voltando à configuração de fábrica, pois essa é a configuração ideal, que corresponde ao que é mais natural e saudável no ser humano), Kleber é reconduzido a seu nível normal de consciência, saindo aliviado e pronto para mais uma semana de exercício dessas imagens, sentimentos, sensações e ideias que foram reformulados em consultório.



CASO 3 – BETH – Mais uma Ilustração
– trechos de um atendimento de Terapia Holística

Beth tem 65 anos, era cantora profissional nos anos 60 e 70, depois as dificuldades da profissão a afastaram e atualmente vive com seu marido sob o mesmo teto, mas em condição de subalternidade emocional, dentro de uma relação que poderíamos chamar de sadomasoquista. Nessa relação, ele é o sádico, ela a masoquista. Em outras palavras, ele a domina com seu desprezo, saindo por dias inteiros sem dizer aonde vai. Ela, por sua vez, é a parte masoquista: faz o serviço da casa, preenchida por sentimentos ruins de abandono e de inferioridade, interpretando essas saídas dele como escapadas para ficar com uma amante.

Aqui está uma das últimas sessões de Psicanálise Holística com Beth:

Beth - Acho que estou reagindo. Outro dia eu falei que queria me separar e ele perguntou, todo solícito, qual era o problema e se ele poderia ajudar. Até parece que é um anjo, só que não. Amanhã mesmo ele vai se encontrar com aquela outra.

Terapeuta – E você consegue aguentar tudo isso?

Beth – Preciso, porque não tenho grana para sair. A aposentadoria que ganho mal dá para pagar as dívidas bancárias que fiz num acordo. E o dinheiro que gerou essa dívida foi para pagar coisas dele.

Terapeuta – Existe uma mágoa muito grande aí, misturada com raiva. Ao mesmo tempo, um amor ferido, algo que não te permite dizer não, defender-se, defender essa criança indefesa que é você, do jeito que você se imagina e sente. Como era a relação com o seu pai?

Beth – Meu pai era muito controlador. Um olhar dele era o bastante para congelar o meu coração. Só brincava conosco, seus filhos, quando ele liderava a brincadeira. Aí era uma farra. Mas quando a gente estava brincando entre nós, ele exigia silêncio, cortava as brincadeiras e era até capaz de bater, para interromper um momento de alegria que ele considerasse inoportuno. Sempre tive a impressão de que ele não estava satisfeito comigo, de que eu não era suficientemente bonita, ou inteligente ou merecedora de qualquer tipo de atenção. Sempre me senti o patinho feio, perto dele.

Terapeuta – No entanto, você o amava e sempre queria que ele te desse atenção. Seu pai reapareceu no corpo do seu marido, mais especificamente agora que vocês estão mais velhos. A mesma relação de dependência emocional, de inferioridade, misturada com admiração e necessidade de aceitação. A mesma relação que você tem com seu marido, uma relação sadomasoquista. Você conduziu essa relação até o momento presente, reproduzindo a relação com seu pai e ficando presa dentro dela, sem qualquer perspectiva de libertação.

Beth – É isso mesmo.

(Mais alguns minutos dessa sessão se passaram e, finalmente, eu pedi a Beth que se deitasse, após o que eu induzi um relaxamento muscular, e ela foi nele entrando, aprofundando-se, até atingir um ponto de aprofundamento da consciência em que podíamos iniciar uma Visualização Ativa – ou seja, uma visualização de imagens que possam ser trabalhadas, transformadas, com o intuito de despi-las de seu conteúdo traumático e permitir que seu conteúdo saudável emerja.)


Terapeuta – Qual é a primeira imagem ou pensamento que surge nessa sua tela mental?

Beth – Estou vendo um bando de cachorrinhos tão mimosos, todos com uma fitinha vermelha ao redor do pescoço. Alegrinhos, fofos, uma belezinha.... Dá vontade de pegá-los no colo, beijar e abraçar um por um.

Terapeuta – Como você queria que seu pai fizesse com você. E como você quer que seu marido faça com você. Que coloque no colo, faça gracinhas. Vamos visualizar essa cena que acabo de descrever. Seu pai puxando você para o colo dele, pronto para lhe fazer um carinho. Veja que isso não é fácil para ele, pois dentro dele existe um menino maltratado, abandonado, carente, parecido com você. Esse menino é ele mesmo, é a criança ferida que ele traz dentro de si. Ele sente aversão, repulsa por esse menino. Qual é a cor que você está vendo, nessa sua tela mental?

Beth – Cor de rosa.

Terapeuta – Essa é a cor da afetividade. Quando trabalhamos com cores, precisamos acima de tudo senti-las, mais do que visualizá-las. Ao sentirmos uma cor e ao aplicarmos essa cor à cena, automaticamente o comprimento de onda atinge a energia que está na imagem e o conteúdo energético e emocional que ali está vai se transformando. Neste momento, esse menino maltratado, que é o seu pai, vai se sentindo aquecido, envolvido, amado, acarinhado. E veja como seu pai vai relaxando, vai se sentindo mais capaz de te acolher no colo dele.

Beth – É mesmo, estou vendo e sentindo tudo isso. Ficou bem claro para mim, estou me sentindo muito feliz no colo dele.

Terapeuta – Olhaí, ao lado do seu pai está seu marido, de um jeito muito parecido com ele. Também tem uma criança abandonada dentro dele, não gosta de olhar para ela, pois essa criança espelha a fraqueza que ele rejeita dentro de si. Quando você olha para esta cena, o que você tem vontade de fazer?

Beth – Vontade de cuidar dessa criança ferida que vive dentro do meu marido. Vontade de estender esse cor de rosa tão macio e quentinho a essa criança.

Terapeuta – Faça isso. (Pausa para permitir que isso aconteça)

Beth – Que incrível, o menininho dentro do meu marido está adquirindo vida, ficando corado, quentinho! Estou vendo agora meu pai e meu marido lado a lado, companheiros de uma jornada junto a mim. E eu com algo a completar com eles. Neste momento, não os sinto mais como sádicos e sim como necessitados do meu colo também!

Terapeuta – Qual a imagem que você gostaria de proteger e levar consigo para casa?

Beth – Essa mesma imagem que apareceu agora, eu, meu pai e meu marido, todos se olhando de frente num círculo, personagens iguais, nivelados, com obrigações mútuas. Uma cena linda, uma viagem!

Terapeuta – Vamos levar essa imagem linda, fruto de uma transformação energética e emocional, para dentro de uma esfera prateada bem brilhante, que tem a função de proteger essa imagem e mantê-la junto a você nesta semana. Agora, você vai saindo devagarinho do relaxamento, vai se espreguiçando e vai trazendo o que tiver sido mais importante com você.

Vimos acima uma das muitas sessões de Beth. Após algum tempo, ela chegou a um estado interno mais equilibrado e pudemos pensar em espaçar os atendimentos, na direção de uma alta.



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