Orientação para Pais - Marina Tschiptschin Francisco
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FORMAÇÃO & ANTECEDENTES
USP, Universidade de Temple, EUA e Universidade Presbiteriana Mackenzie, com especialização e Mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento

 

Às vezes, no caso de crianças que estejam com manifestações que preocupam, basta orientar os pais para que não só as crianças, mas a família toda se equilibre. Neste caso, os pais vêm as consultas semanais, suas interações com a criança são relatadas e analisadas, para que suas atitudes e comportamentos sejam reformulados e praticados junto aos filhos. Tais resultados são trazidos ao consultório para nova avaliação, análise e aperfeiçoamento.

 

Há casos em que só o fato de poderem desabafar já melhora muito a relação com as crianças. Outros, em que os pais acabam por localizar em si mesmos a fonte do desequilíbrio. Ainda, há casos em que os pais percebem que eles é que precisam de uma terapia, e que olhando para si mesmos e retirando de si alguns obstáculos, conseguem grandes resultados. É importante lembrar que os pais, quando bem conduzidos, começam a exibir ótimas idéias sobre como se relacionar com os filhos e deles extrair comportamentos desejáveis e felizes.

 

Ilustração para Orientação de Pais

Greta e Anne
Greta era uma mãe de origem alemã, há pouco tempo no Brasil, acompanhando o marido engenheiro contratado por uma grande firma para permanecer algum tempo aqui, dirigindo um setor da fábrica. Tinham uma filhinha de 4 anos, Anne, quem cuidava dela em tempo integral era Greta. Ela se queixava do marido autoritário, da falta de raízes e amigos aqui no Brasil e, principalmente, de um terrível sintoma exibido por sua filha: Anne arrancava seus cabelos sistematicamente, apresentando falhas cada vez maiores, deixando o couro cabeludo sempre mais e mais à mostra. Greta veio desesperada, não sabendo o que fazer nesse panorama em que se sentia fragilizada e sujeita a tantas intempéries. Confira interação abaixo:

 

Greta – Doutora, estou muito perdida, sinto-me mal, não sei o que fazer. O que mais me magoa é olhar para Anne e ver que a careca dela está aumentando a cada dia. Quanto mais falo, mais ela vai arrancando aquilo que resta.

Terapeuta – Anne está chamando a atenção para si dessa forma tão bizarra… Mas o fato é que ela consegue chamar sua atenção, Greta, com grande força, pois atinge sua vaidade feminina de várias formas. Uma primeira forma de atingir sua vaidade é tornar-se feia, pelos padrões estabelecidos – uma menininha careca em alguns pontos da cabeça é algo bem fora das expectativas e aparece como feio. Outra forma de atingir sua vaidade, Greta, é mostrar às pessoas que algo está acontecendo fora do seu controle. Mostrar que você, como mãe e educadora, está fracassando. E isso vai direto ao coração do seu ego que já está fragilizado pela ausência de amigos e parentes. Fragilizado, também, pelo jeito mandão do seu marido.

Greta – É isso mesmo. O que posso fazer, no meio deste mar todo cheio de ondas grandes? Estou muito infeliz, destituída de poder, de qualquer tipo de força. E ainda por cima, minha filhinha acaba me ferindo muito com essa teimosia tão feia, desagradável…

Terapeuta – Você precisa começar a se expressar. Você está muito sujeita a chuvas e tempestades, é preciso reagir. Mostrar ao mundo que você tem presença, tem força, tem opinião. Mostrar ao Brasil o que é que a alemã tem! (risos) Não é bom que o seu marido fique tão à vontade para mandar em você. Não é bom para ele, não é bom para você. Ele tem que sentir o seu poder, ouvir a sua voz, perceber que você é um ser humano que tem algo específico para mostrar e oferecer.

Greta – Você me ajuda? Não sei como fazer isso…

Terapeuta – Claro, pode contar comigo. Mas agora, antes de mais nada, precisamos abordar o problema de Anne – os cabelos que anda arrancando. Veja que a motivação inconsciente dela é a de agredir vocês, principalmente você, Greta – que fica horrorizada e se sente tão impotente. Vamos mexer exatamente nisso. Você vai chegar a ela com um envelopinho cor de rosa e vai falar: “Filhinha, esses cabelos que você arranca, quero guardá-los aqui dentro deste envelope, para lembrança. Cada vez que você arrancar um cabelo, venha trazer para a mamãe. Vou ficar tão feliz!”

Greta – Ela vai estranhar, vai achar que estou encenando alguma coisa falsa. Vai ficar confusa.

Terapeuta – Não se preocupe. Apenas faça o que estou recomendando.

 

Greta fez isso e o resultado foi imediato: Anne parou de arrancar seus cabelos, pois aquilo que representava uma punição para sua mãe, tornou-se um prêmio. A intenção primeira foi esvaziada e perdeu a razão de ser. A partir desse sucesso, Greta tornou-se muito receptiva ao tratamento de si mesma e, mais tarde, trouxe Anne para ludoterapia.

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