O Arqueiro Zen e a Psicoterapia - Marina Tschiptschin Francisco
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O Arqueiro Zen e a Psicoterapia
por Marina Tschiptschin Francisco

 

John Lennon, num de seus momentos Zen, disse:

“A vida é aquilo que acontece a você enquanto você está ocupado fazendo outros planos.”

 

O princípio da não-memória e da não-intencionalidade, necessário à manutenção da atenção flutuante, é um princípio que atingirá sua plenitude na sessão psicoterápica quando o terapeuta souber vivê-lo integralmente em sua vida como um todo. E, assim como o Arqueiro Zen se submete a uma disciplina inquebrantável, férrea, o psicoterapeuta que procura esse caminho deverá também ser capaz de se desvencilhar das algemas de sua mente, entregando-se a uma disciplina interior sem tréguas, para atingir esse objetivo. Negando, a cada momento, qualquer identificação com seus objetos internos, com seus desejos, com seus enquadres conceituais, etc.

 

Nietzsche também teve seu lampejo Zen, quando  observou que

“Quando você encara firme um abismo, por muito tempo,
o abismo também encarará você”.

 

Esse inadvertido koan de Nietzsche nos traz diretamente à situação terapêutica, e, o que é mais importante, à contra-transferência – ou seja, a toda a mobilização emocional e energética pela qual passa o terapeuta, em concomitância à mobilização do paciente. Isso traz à memória aqueles preciosos momentos em que a dualidade paciente-terapeuta desaparece, cedendo lugar à vivência de uma unidade em que ambos estão recebendo importantes energias das quais muito precisam.

 

“O estábulo está queimando
eu posso ver a lua.”

 

O terapeuta precisa libertar-se de todo e qualquer preconceito, de toda e qualquer interferência mental. Como, de outra forma, conseguirá viajar na experiência do paciente, vislumbrar alguma luz que faça sentido, criar uma via de mão dupla que favoreça aquele nível de comunicação ideal, em que há uma troca intensa de energias entre os dois? A transparência, como norma disciplinar, impõe-se ao terapeuta. Ser transparente a ponto de nem mesmo conseguir enxergar-se como individualidade, e sim apenas como veículo de manifestação de energias que a ele não pertencem necessariamente.

 

“Para ser um homem sábio,
deve-se ser leve e fluído.”

 

O místico que disse isso compreendeu a importância da nossa não-identificação com qualquer coisa, para que possamos, como terapeutas, ser “transparentes” e “penetráveis”, para sermos capazes de “dar passagem” – tanto ao paciente, quanto a energias mais refinadas que poderão ser úteis no contexto terapêutico.

 

Assim como o arqueiro Zen, não é o terapeuta que acerta no alvo, é Algo a ele extrínseco. Ele é um canal, e como tal acaba sendo infalível e aplaudido em praça pública, a cada tentativa bem-sucedida. Assim como o Arqueiro, ele não se preocupa se está acertando, ele não está atento à técnica, ele está apenas atento a “largar” a intencionalidade, para que esta não interfira na maravilhosa pontaria possível.

 

“Um discípulo aproximou-se do Mestre e lhe perguntou: – Mestre, que devo fazer para atingir a Realização? O Mestre bateu palmas, pedindo chá, ao que o servo entrou com uma bandeja, trazendo um bule e xícaras. O Mestre pegou o bule e foi derramando chá na xícara destinada ao discípulo. Derramando, derramando, até que o chá transbordou da xícara, encheu a bandeja, transbordou da bandeja e foi se espalhando pelo chão. O discípulo, a princípio respeitoso e silencioso, acabou protestando: – Mestre, o que o senhor está fazendo? O Mestre respondeu: – Enquanto a tua cabeça estiver tão cheia quanto está xícara, você não atingirá a Realização.”

 

O psicoterapeuta assim orientado assemelha-se ao espadachim que luta sem fixar nenhuma atenção no inimigo ou no perigo, uma vez que eles, entrando em seu campo de atenção, introduziriam a intencionalidade e a personalidade, obstruindo o canal de manifestação daquele Algo extrínseco e poderoso.

 

Uma sessão de psicoterapia assim conduzida cria momentos muito significativos no canal estabelecido entre o terapeuta e o paciente. Nesses momentos, ambos recebem, inesperadamente, altas doses de energia que lhes são fundamentais em suas respectivas existências. Nesses momentos, o “deixar acontecer” é fundamental.

 

“Era uma vez um velhinho que tinha uma barba bem comprida e que dormia que era uma beleza. Um dia, alguém lhe perguntou: – Quando o senhor dorme, sua barba fica por baixo do lençol, ou por cima do lençol? Foi aí que o velhinho, quebrando a cabeça para descobrir a resposta a essa pergunta, nunca mais conseguiu dormir.”

 

É na terapia de crianças pequenas que o Arqueiro-Terapeuta às vezes encontra oportunidades de não-intencionalidade mais marcantes. É quando ele pode se soltar a ponto de não saber o que está fazendo e se está fazendo, mas tem a nítida sensação de que Algo, uma terceira instância, está fazendo com perfeita pontaria, acertando em vários alvos ao mesmo tempo. Em outras palavras, promovendo tudo aquilo que a criança-paciente está precisando, em termos de estímulo, alegria de viver, auto-confiança, ampliação de horizontes, etc. ao mesmo tempo que a criança interna do terapeuta recebe esse mesmo tipo de alimentação, da qual tanto necessita para suas próprias reparações.

Dogen, famoso monge Zen, parecia estar parafraseando Jesus Cristo, quando assim se pronunciou:

 

Deveis estudar não só para vos tornardes uma mãe quando vossa criança nascer, mas também para vos tornardes uma criança.”

 

A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, quando aplicada à Psicoterapia, não exclui os enquadres conceituais, as posições teóricas, as considerações racionais. Mas, tudo isso fica em plano secundário. Em primeiro plano, dominante, todo-poderoso, o Algo age, guiando terapeuta, paciente e todo o resto.

 

“Aja sem fazer;
trabalhe sem esforço.”

 

Ryokan, monge-poeta muito querido da tradição Zen, amava crianças e com elas jogava bola – a isto ele chamava de “a mais alta forma de Zen”. Quando um ladrão destruiu sua cabana, depois de nada ali ter encontrado que fosse de valor, Ryokan escreveu:

 

O ladrão deixou-a lá
lá na janela –
a lua brilhante.

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