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 VIAGEM AO PASSADO PARA CONSERTAR O FUTURO
Desenvolvimentos de Psicanálise Holística por Marina Tschiptschin Francisco (publicado na Revista Catharsis)

"Ah, se eu pudesse voltar atrás...Puxa, quanta coisa que eu poderia viver de novo, com outra cabeça!"

Esta frase é muito conhecida. Todos nós já a formulamos, em voz alta, ou em pensamento... É uma frase que corresponde a um dos anseios mais fortes no ser humano - o anseio de poder "passar a limpo" o rascunho de sua vida. Só que a vida acaba sendo sempre entregue em rascunho, que nunca dá tempo para a gente "passar a limpo". Quando vai ver, já aconteceu.

Com certeza, muitos viram o filme De Volta ao Futuro I (que já tem vários desdobramentos), em que o personagem central volta no tempo à década de 50, quando seus pais se encontraram, e interfere na história do namoro deles. Consegue, com isso, modificar completamente o curso da história de sua família, daí para diante. E, o que é mais interessante, com resultados concretos para o momento, localizado no futuro, em que começa o enredo do filme. Este filme apenas ilustra o fato de que todo sonho corresponde a uma realidade intuída como possível. Este filme está falando de algo possível.

Como nos mostrou Freud, podemos ir atrás dos registros antigos, gravados no passado em nossa memória emocional, e mexer neles, produzindo modificações radicais na nossa maneira de ver e lidar com as coisas do mundo. No filme De Volta ao Futuro, há uma máquina do tempo que o cientista emprega para essa finalidade - as pessoas que retornam revivenciam, de uma forma inovadora e saudável, experiências mal vivenciadas e mal sucedidas na época. Nós não temos, ainda, aquela engenhoca. Entretanto, temos dispositivos ainda melhores e mais aperfeiçoados, para obtermos esse interessante efeito de "retroconserto" daquilo que sentimos como "gravações defeituosas".

Um dos dispositivos de que dispomos é essencialmente psicanalítico, e serve para "mapear" os desequilíbrios. É quando, no processo transferencial, evidenciam-se as fantasias inconscientes (que são, justamente as "gravações" efetuadas no passado ), responsáveis pelos conflitos neuróticos e pelas cisões psicóticas. A interpretação do inconsciente, quando acertada, propicia de imediato uma liberação energética que se traduz numa sensação de alívio, uma sensação de proximidade com o terapeuta, e um descondicionamento da emoção negativa. É assim que é dado o passo preliminar no conserto das "gravações defeituosas".

Outro, entre os recursos disponíveis, a ser empregado em seguida à fase puramente interpretativa da sessão, consiste no trabalho energético aplicado às principais imagens que se materializaram naquela fase. Induz-se um estado aprofundado de consciência, através de um procedimento que combina técnicas de relaxamento, concentração e visualização.

Nesse estado de aprofundamento da consciência, o paciente entra em contato com seu superconsciente e com as energias ali existentes, que podem ser mobilizadas por sua vontade consciente. O terapeuta lhe traz, então, aquelas imagens materializadas na primeira parte da sessão- que costumam carregar emoções negativas, ansiedade e sofrimento. Em seguida, o terapeuta vai procedendo a todo um minucioso trabalho de mobilização das energias superconscientes na direção dessas imagens, penetrando em seus mecanismos, liberando-as da carga negativa, "esculpindo-as" e as impregnando de energias positivas. Tudo isso em companhia do paciente, cuja colaboração, a cada passo, é fundamental.

Como resultado, os registros da memória emocional são alterados, e passam a comandar mensagens completamente diferentes daquelas que se revelavam inadequadas.

Vejamos uma ilustração:


Adriana tem quase 40 anos, é separada do marido há um ano, tem dois filhos pequenos. Veio para terapia por se sentir muito "perdida", após a dissolução do casamento. Suas dificuldades com o ex-marido, durante o casamento, constituem, com freqüência, o tema central das sessões. Chama a atenção sua dificuldade em "chegar até a terapia", às vezes atrasando até 40 minutos numa sessão de uma hora.

Na sessão descrita a seguir, Adriana chega com apenas 10 minutos de atraso, o que é um "record" de pontualidade.

Adriana - Tá vendo, cheguei quase na horinha certa!

Terapeuta
- É mesmo. Você está contente com esse progresso. Afinal, você está me mostrando que você está conseguindo dominar forças que eram inconscientes... (silêncio)

Adriana - Estou contente, também, porque estão acontecendo coisas boas pra mim. Vou para um Congresso super-interessante, tudo pago pela Faculdade onde trabalho como professora.

Terapeuta - Você está registrando uma série de movimentos para cima, tanto na tua vida, quanto no teu interior.

Adriana
- É mesmo... Só que, agora, acabei de lembrar de uma coisa horrível. Daqui a uma semana, faço 40 anos... Estou ficando velha."

Terapeuta - Velha? Como velha?

Adriana - Velha, acabada. Sem graça, feia. Um monte de tempo já passou...

Terapeuta - Um monte de tempo que você sente ter perdido, deixando um casamento inacabado, não-resolvido, pra trás. Sentindo que as perspectivas de você arrumar um companheiro, para suprir essa falta, vão ficando tão remotas!

Adriana
- É isso mesmo. Perdi muito tempo, na minha vida. Eu estou bem atrasada. Na minha idade, as pessoas já estão bem estabelecidas na vida. E agora, já é muito tarde pra pensar em recuperar o tempo perdido.

Terapeuta - No entanto, existe em você a esperança de ter um companheiro...

Adriana - Existe, mas os homens que tenho encontrado são todos casados. E eu odeio homem casado. Fico com a impressão, quando eles se aproximam, que eles tão fazendo a mulher deles de boba. São todos uns sem-vergonha. Por outro lado, os homens solteiros da minha idade são uns bobocas, não dá nem pra pensar.

Terapeuta - Dá pra ver que você está com as portas fechadas para os homens. Dá pra ver que todos os homens do teu caminho, seja passado, seja futuro, estão impregnados de tintas escuras, pouco favoráveis - são todos insensíveis, grossos, egocêntricos, e culpados de tudo que possa acontecer num casamento mal-sucedido. Não era assim que você via seu pai, quando você era menina?

Adriana - Ih, meu pai sempre foi horrível, o fim da picada! O que ele fazia com a minha mãe, Deus me livre. Fazia dela gato e sapato. E ela sempre tentando pôr panos quentes, sempre aceitando tudo.

Terapeuta - Como é que você pode ter certeza de que ela não contribuiu para esse quadro deprimente? Num casamento, são sempre os dois que fazem a situação. Talvez justamente toda aquela passividade de tua mãe foi alimentando esse jeito grosseiro de teu pai. Talvez a tua própria atitude crítica, rejeitadora dele, possa ter ajudado a agravar toda aquela amargura e aquele egocentrismo nele. (Silêncio prolongado, em que os últimos comentários ficam no ar.)

Terapeuta - Agora, vamos colocar todos esses assuntos de lado, e vamos relaxar. (É induzido um relaxamento profundo, através de uma combinação de técnicas de relaxamento, concentração e visualização. A Terapeuta também entra em relaxamento - isso garante uma sintonia com os sentimentos da paciente, bem como uma sintonia com as nuances da "modelagem" emocional que virá a seguir.)

Terapeuta - Agora, que você está em contato com esse equilíbrio interno, proveniente do teu Eu real, qual a primeira idéia que passa pela tua cabeça?

Adriana - A raiva que eu tenho do meu marido, que me plantava em casa, para ir se encontrar com aquela outra.

Terapeuta - Então, vamos visualizar o teu ex-marido, saindo da tua casa, na direção dessa mulher. Vamos tentar enxergar, dentro dele, qual o motivo dessa movimentação... Torna-se claro que, dentro desse aventureiro, aparentemente sem-vergonha, existe um menino carente, precisado de atenção, precisado de valorização, precisado de sexo (coisas que Adriana negava a ele, por diversos motivos), que vai procurar naquela outra mulher o que ele não encontra em casa. Veja como esse menino vai ansioso, tropeçando, inseguro. Veja como a parte visível dele, que é seu ex-marido, sabe que está te agredindo, com essa saída.

Agora, nós vamos alimentar e reassegurar esse menino pequeno. Vamos mobilizar na direção dele, antes de mais nada, o amarelo-anestésico (Cromoterapia), de maneira a aliviá-lo dessa dor básica. Vamos sentindo - pois sentir é mais importante do que visualizar - como esse amarelo vai penetrando e vai anestesiando, vai aliviando essa dor tão difícil de suportar, que é a dor do abandono. E, agora, nós, que estamos tão cheias de azul, vamos mobilizando essa cor de equilíbrio, na direção desse menino carente. E vamos sentindo como o azul vai penetrando, vai envolvendo, e vai criando todo um entorno equilibrador, reassegurador, que vai dando ao menino uma sensação de estar sendo cuidado. Finalmente, vamos mobilizar o cor-de-rosa, essa cor do afeto, do amor. Vamos sentindo como esse cor-de-rosa, vai preenchendo de calor esse menino frio. Vai aquecendo, vai envolvendo, e o menino vai ficando contente, como se estivesse bem alimentado.

Observe, Adriana, que o aspecto externo de seu ex-marido, aquele homem frio que tudo fazia para te magoar, está agora bem mais suavizado. É como se fosse um tigre de papel... O tigre agora é de papel de seda transparente - dá para ver através dele aquele menininho carente, agora fortalecido e envolvido em braços carinhosos. E aquele homem frio, do lado de fora, parece que captou o calor do menininho, e ele também está irradiando algum calor, ao invés de toda aquela frieza.

Agora, Adriana, apague todas essas imagens da tua mente. O vazio à tua frente está cheio de cores, e, principalmente, de uma sensação de equilíbrio, e de uma sensação de que um trabalho foi feito. (A terapeuta diz isso com convicção, uma vez que está, ela também, em nível aprofundado de consciência, e em estreito contato emocional com a paciente.) Os resultados desse trabalho estão palpáveis, no ar... Você vai conservar esses resultados, e levá-los daqui para o teu dia-a-dia, onde eles vão se manifestar.

Adriana é convidada a se levantar, após o que há uma breve troca de impressões sobre as imagens e sobre o trabalho realizado. Assim, termina a sessão.

Como se pode observar, nessa breve ilustração, há todo um trabalho de descondicionamento de emoções negativas, e, em concomitância, um trabalho de recondicionamento de emoções positivas, bem como uma reestruturação cognitiva de base.

Foi interessante observar, a partir dessa sessão, que o trabalho que Adriana efetuou sobre a imagem tão negativa de seu marido, teve fortes repercussões sobre a maneira com que ela passou a encarar o lado inconstante e rejeitador de si mesma, com grandes ganhos para seu auto-conhecimento e para sua auto-monitoração.
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