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 DANÇA ARQUETÍPICA - UM EXERCÍCIO ZEN
Por Marina Tschiptschin Francisco

"I saw America dancing." (Walt Whitman)

Venho de um passado profissional em dança clássica, que em certa medida transpôs para o movimento meus anseios expressivos mais profundos. Interrompi a carreira de dançarina clássica, tornei-me psicóloga clínica. Com isso, suspendi, por longo tempo, meu contato com a dança. Houve curtas retomadas intermitentes, apenas no sentido de me certificar a respeito dessa "brasa dormida" - reassegurar-me da sobrevivência de algum cerne que eu não sabia interpretar satisfatoriamente, mas que se revelava como o "espírito mais puro da dança" - em outras palavras, a manifestação corporal dos movimentos internos universais arquetípicos.

Entrei há algum tempo em contato com literatura sobre as artes orientais do arqueiro e do espadachim Zen, e, mais especificamente, com as noções da "consciência inconsciente" e da "inconsciência consciente", ou seja, com a não-interferência da mente no curso de uma ação, permitindo-se que a mais pura espontaneidade ali se manifeste - conferindo perfeição e poesia ao movimento. A generalização de tais noções para a dança foi imediata.

A perfeição de movimento a que me refiro é um dado fenomenológico, algo que cada participante pode experimentar, e que pode ou não corresponder a uma perfeição visualmente definida ou correspondente aos padrões estéticos vigentes.

Foi assim que, no decorrer do ano de 1998, retomei o veio da dança, em mim sempre vivo porém latente, no sentido de despertá-lo em indivíduos ou grupos de pessoas. O ponto de partida é o de que todos são artistas natos, capazes de expressarem os contrapontos da natureza humana - tanto seus movimentos desarmônicos quanto seus corolários harmonizadores, sem necessariamente nenhuma necessidade de treino dentro da modalidade expressiva escolhida. Somos todos, em coerência, dançarinos natos - capazes de expressarmos, através do movimento externo, uma gama infinita de movimentos internos.

Tais movimentos internos nos transcendem, vão muito além de nossa individualidade, expressam o Inconsciente Coletivo - tal como vem pulsando e ecoando através dos tempos. Assim, são movimentos arquetípicos que buscam exteriorizar-se, desenhando um mundo melhor.

A Dança Arquetípica considera que nossos condicionamentos negativos afastaram-nos dessas possibilidades expressivas. Encontramo-nos travados, estereotipados, irreconhecíveis para nós mesmos. Vemo-nos desarmônicos na postura, na expressão facial, no comportamento motor. Mas, o caminho de volta a nossa verdadeira natureza artística é possível. E, mais especificamente, o caminho de volta a nossa natureza dançante, afinada, em última instância, às emoções e virtudes mais positivas: amor, abertura à realidade, aceitação do sofrimento, leveza, alegria, entrega confiante, tranqüilidade, esperança, espírito de renovação, criatividade e assim por diante.

"Um trabalho sensível, delicado, ao mesmo tempo que profundo. Através de pequenos estímulos externos, aliados a um estado meditativo, somos convidados a entrar em sintonia com a escuta do nosso centro de verdade, e deixar brotar dali o movimento, o gesto, e, por fim, a comunicação com o(s) outro(s), permitindo fluir uma nova e re-conhecida linguagem corporal, que emerge do esquecido. Finalmente, somos todos envolvidos pelo sentimento de unidade e cumplicidade, em nossas jornadas pessoais e paralelas." (M., sexo fem. 35 anos)

A Dança Arquetípica está fortemente alicerçada na crença, confirmado pela fenomenologia da experiência dançante, de que os movimentos preexistem a sua expressão, dentro de cada indivíduo, em seu inconsciente. Basta "soltá-los", dando passividade para que eles se manifestem, praticamente sem interferência da vontade consciente. Tudo se passa como se o corpo tivesse sua própria sabedoria, sua própria linguagem. Basta observar o que o corpo desenha no espaço e segui-lo. Tudo se passa como se o corpo estivesse "mediunizado", não por um espírito específico, mas por uma entidade arquetípica universal, talvez Terpsícore, que tem seus próprios caminhos, independentes da vontade individual.

"Foi um prazer quase que infantil, aquela sensação alegre, de participação integradora em que o corpo e a alma participam por igual!" (N.M., 40 anos)

Terpsícore que existe dentro de todos nós é curativa. Ela nos libera, desobstrui os caminhos energéticos, permite que nosso mundo interior flua harmoniosamente, estabelecendo o equilíbrio em todas as áreas físicas e psicológicas.

A vontade consciente também é usada, mas apenas na medida em que possa facilitar a liberação do inconsciente. Ela é usada em consignas como: "Feche os olhos, ninguém está te vendo. Só eu que às vezes dou uma olhada, para ver se você está se soltando." Ou: "Agora você vai expressar agradecimento a tudo que existe ao seu redor, neste momento." Ou então: "Expresse as formas circulares que já existem fora e dentro de você." Mas, tais consignas são sempre seguidas por outras, mais incisivas e determinantes da tônica inconsciente deste tipo de trabalho: "Use a tua vontade consciente apenas para dar o primeiro impulso, o primeiro 'empurrão' para que a coisa vá andando por si mesma. E aí, deixe andar, deixe que o movimento se manifeste, solte-o."

"A dança foi um momento de liberação da tensão interna e externa. Encontrei-me aos poucos soltando, soltando muitas emoções inibidoras e pesadas, aos poucos entregando-me a meu mundo interior e a algo maior, fora de mim." (L., sexo fem. 50 anos)

Aos poucos, no decorrer da sessão, há um aquecimento e a liberação se dá de maneira cada vez mais espontânea e surpreendente para os próprios sujeitos. Os depoimentos de vários participantes atestam a agradável surpresa diante de um reservatório inexplorado de riquezas subterrâneas que emergem nesses momentos.

"A dança ajudou muito no contato com as pessoas, afirmando minha personalidade e me deixando confiante, mais amoroso e receptivo. Senti que ajuda a quebrar as barreiras emocionais e preconceitos." (M., sexo masculino, 26 anos)

Este trabalho dançante pode ser individual ou coletivo. Quando coletivo, os sujeitos são convidados a se expressarem inicialmente de olhos fechados, para ficarem a salvo das inibições no sentido de serem observados e julgados. Aos poucos, são estimulados a abrirem os olhos, embora continuem em atividade individual. Mais tarde, quando já estão bem aquecidos, vão se entrosando, através de consignas que os convidam a interagirem de maneira progressiva. Depois, poderão voltar a se recolher em suas individualidades, produzindo sucessivamente movimentos de retração e expansão, para dentro e para fora.

As imagens que se formam, no decorrer da liberação dos movimentos espontâneos, tendem a lembrar afrescos da antigüidade assíria, egípcia, grega e romana. Há flashes em que poderá aparecer, por exemplo, um afresco de Michelangelo na Capela Sistina. Isso porque do inconsciente, através do canal da dança, emergem imagens arquetípicas transculturais e transtemporais.

"Foi bom perceber meus sentimentos fluindo através das músicas. Foi bom sentir como a mudança nas melodias foi buscando níveis diferentes dentro de mim. Gostei de me soltar livremente, de sentir um tipo de respiração dentro de mim que mudava por si mesma." (P., sexo masculino, 40 anos)


A música desempenha importante papel na liberação dos movimentos provenientes do Inconsciente. Cantos Gregorianos, Bach, Chopin, Debussy, Ravel, Eric Satie, músicas New Age e até MPB podem estimular essa emergência. Mas a música não é imprescindível, pois os meros ruídos da natureza, ou até o próprio silêncio - talvez o estímulo auditivo mais eloqüente, a própria linguagem do Indizível- podem contribuir com sua inspiração.

Ó homem, ó mulher, aprende a dançar,
Senão os anjos do céu
Não saberão o que fazer contigo.
(Sto. Agostinho)
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